Guia de Suporte Básico de Vida Pediátrico

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As manobras de Suporte Básico de Vida divergem consoante a idade da vítima. Em regra, os princípios gerais são os mesmos do adulto, existindo, no entanto, algumas diferenças que importa realçar quando as manobras são aplicadas em crianças.

Na criança, todas as estruturas anatómicas são mais frágeis pelo que as manobras têm que ser feitas com maior suavidade para não causar traumatismos à vítima.

Assim, torna-se relevante começar pela definição da idade:

  • Recém-nascidos: Bebés imediatamente após o parto e até aos 28 dias de vida. Têm especificidades próprias, que determinam que a sua reanimação cumpra procedimentos específicos;
  • Lactente: Bebés até 1 ano de idade;
  • Criança: Crianças com idades compreendidas entre 1 ano e a puberdade.

Neste artigo iremos abordar apenas as especificidades das manobras direccionadas para a idade lactente e para as crianças.

Assim, estes são os procedimentos de Suporte Básico de Vida a adotar quando a vítima for uma criança:

1. Avaliação das Condições de Segurança:

– Antes de abordar qualquer vítima deverá verificar as condições de segurança existentes para o reanimador, para a vítima e para terceiros, de modo a garantir que irá manter a estabilidade durante o socorro. Caso não disponha de condições de segurança, mantenha-se afastado e alerte o 112.

– Caso reúna todas as condições de segurança, aborde a vítima colocando-se à lateral da mesma, que deverá estar posicionada de “barriga para cima”.

2. Avaliar o Estado de Consciência da Criança:

– Toque suavemente nos ombros da vítima com as duas mãos e chame por ela (realizando estímulos táteis e verbais). Se a vítima tiver idade inferior a 1 ano, toque nas mãos e nos pés.

– Se a vítima responder aos estímulos, avalie a necessidade de alertar o 112 para uma emergência.

– Se a vítima não responder, peça ajuda a alguém que esteja perto. No entanto, não abandone a criança para ir pedir ajuda nem atrase o início das manobras de SBV (Suporte Básico de Vida). Avance para o passo seguinte.

3. Permeabilizar a via aérea

Numa criança inconsciente, o relaxamento da língua pode causar obstrução da via aérea.

– Em crianças com idade inferior a 1 ano, as vias aérea tornam-se permeabilizadas com uma posição neutra, tentando compensar a saliência da nuca.

– Em crianças de idade superior, deve-se conseguir a permeabilidade da via aérea, realizando a extensão da cabeça e a elevação do queixo.

4. Verificar se a vítima respira:

Após ter efetuado a permeabilização da via aérea deve avaliar se a vítima respira normalmente. Para verificar este aspeto a melhor técnica é a VOS e a sua aplicação não deverá exceder os 10 segundos:
– Ver: se existe expansão torácica;
– Ouvir: se existe ruído de passagem de ar;
– Sentir: o ar exalado da vítima na face.

– Se a vítima respirar, deve ser colocada em Posição Lateral de Segurança (de lado), ou ao colo mediante a idade (de lado também), e alertar o 112, especificando que a vítima é uma criança.

– Se a vítima não respira: mantenha a permeabilidade da via aérea, remova cuidadosamente qualquer obstrução que possa existir e inicie a ventilação com ar expirado, efetuando 5 insuflações.

5. Efetuar 5 insuflações iniciais:

– Em crianças de idade inferior a 1 ano, insuflar o ar suficiente para encher as bochechas;

– Em crianças de idade superior, insuflar até verificar expansão torácica.

– São cinco insuflações, que podem ser realizadas com as técnicas: boca-nariz-boca, boca-a-boca, ou máscara de insuflação.

6. Pesquisar sinais de vida

Após as 5 insuflações iniciais, o reanimador deve perceber se a criança tem circulação espontânea, através da pesquisa de sinais de vida (movimento, tosse, respiração normal) ou se necessita de compressões torácicas. Em caso de dúvida poderá ser realizada a técnica VOS (Ver, Ouvir, Sentir) novamente. Este passo não deve demorar mais do que 10 segundos. Se não houver sinais de vida deve iniciar de imediato as compressões torácicas.

7. Efetuar 5 ciclos de SBV (Suporte Básico de Vida)

– Cada ciclo de SBV (Suporte Básico de Vida) pediátrico é composto por 15 compressões torácicas e 2 insuflações. Caso esteja presente apenas um reanimador devem ser mantidas as manobras de SBV durante 1 minuto (5 ciclos da sequência) e só depois, deverá ligar o 112.

  • Compressões Torácicas:
    – Em crianças até 1 ano de idade, as compressões são realizadas com a ponta dos dois dedos sobre a metade inferior do esterno, comprimindo o tórax na vertical, de forma a causar uma depressão de cerca de 4 cm.
    – Em crianças de idade superior a 1 ano, são realizadas compressões colocando a base de uma mão na metade inferior do esterno, mantendo o braço esticado, comprimindo o tórax causando uma depressão de cerca de 5 cm.

– As compressões devem ter um ritmo de 100 a 120 por minuto.

  • Insuflações:
    Até 1 ano de idade – boca-a-boca-nariz:  a boca do reanimador envolve a boca e nariz do bebé e insufla 2 vezes a quantidade de ar suficiente para encher a boca da criança. Se existir máscara de insuflação deve ser aplicada invertida do sentido do adulto (com a zona do nariz para o queixo).
    Após um ano de idade – boca-a-boca: a boca do reanimador envolve a boca da vítima e insufla o ar suficiente para verificar se existe expansão torácica da vítima.

– As insuflações não podem atrasar o início das compressões mais do que 10 segundos.

8. Ligar 112:

– Ao ligar 112, devemos indicar a nossa localização, utilizando pontos de referência e especificar que a vítima é uma criança e que esta não respira e já foram iniciadas as manobras de SBV (Suporte Básico de Vida). Sempre que possível, devemos realizar a chamada mantendo as manobras de reanimação. Se estiver sozinho, pode ser utilizado um
telemóvel em alta voz, enquanto mantém o SBV (Suporte Básico de Vida).

9. Considerações finais:

– Após desligar a chamada, devemos manter os ciclos de 15 compressões e 2 insuflações na criança, até que:

  • a criança apresente sinais de vida (respiração, tosse, choro, movimentos ou abertura dos olhos);
  • sejamos substituídos por um médico ou profissional de saúde destinado a socorrer a situação;
  • estejamos exaustos e incapazes de continuar as manobras.

É fundamental que todos os cidadãos estejam preparados para eventuais situações em que seja necessário recorrer às manobras de Suporte Básico de Vida.

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O Curso de Suporte Básico de Vida Pediátrico da Do It Better irá dar-lhe os conhecimentos que necessita para saber como realizar corretamente as manobras, o que poderá ajudá-lo a salvar uma vida!

Autoria: Sofia Pinto